Primazes pedem ações imediatas no Zimbábue

Declaração dos Primazes da Comunhão Anglicana sobre o Zimbábue.


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Os primazes da Comunhão Anglicana, reunidos em Alexandria, no Egito, no dia 3 de fevereiro de 2009, ouviram relatórios em primeira mão da terrível e complicada situação da população da nação do Zimbábue. 

Nós damos graças a Deus pelo testemunho e trabalho dos cristãos do Zimbábue durante este período de dor e sofrimento, especialmente aqueles que estão sendo privados de terem acesso às Igrejas. Nós gostaríamos de reforçar o nosso amor, nosso suporte e nossas orações para estas pessoas que sofrem violações dos direitos humanos, fome, morte assim como sofrem de uma epidemia de cólera, tudo isso devido à conjuntura de deteriorização sócio-política e econômica no Zimbábue. 

É extremamente preocupante o fato de que as regras previstas em Lei estão sendo quebradas naquele país, e também que o processo democrático está sendo destruído, como pôde ser visto na violação das eleições democráticas de 31 de Março de 2008, para que o Sr. Robert Mugabe pudesse, ilegitimamente, permanecer no poder. Até mesmo a recente situação política de divisão do poder, mediada pela SADC (Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral), não foi duradoura e não foi o suficiente para dar fim ao regime de Mugabe. Há um total desrespeito pela vida, demonstrada pelos sistemáticos seqüestros, tortura e assassinatos da população, comandados por Mugabe. A economia do Zimbábue sofreu um colapso, o que fica claro pela enorme circulação de moedas estrangeiras no país.  

Portanto, nós pedimos ao Presidente Robert Mugabe que ele respeite o resultado das eleições de 2008 e se retire do poder. Nós pedimos que as leis sejam novamente obedecidas e que a democracia possa ser restaurada. 

Nós pedimos que o Arcebispo de Cantuária e o presidente do Conselho Anglicano das Províncias da África, em conjunto com a Província da África Central, mandem um representante para ir ao Zimbábue para exercer um ministério de solidariedade ao povo do Zimbábue. Nós também pedimos que o Presidente da Conferência das Igrejas da África e o presidente do Conselho Anglicano das Províncias da África, organizem uma reunião com o Presidente da União Africana e outras lideranças políticas da África (especialmente aquelas ligadas ao SADC) para levantar e discutir os pedidos e as lutas da população do Zimbábue. 

Nós pedimos para que as paróquias de toda a Comunhão Anglicana auxiliem o Escritório da Comunhão Anglicana, o Escritório do Arcebispo de Cantuária e o Observador Anglicano na ONU, enquanto eles tentam colaborar na administração desta crise humanitária da maneira que melhor lhes cabe como, por exemplo, pedindo que o Palácio de Lambeth facilite o processo de distribuição da comida e outros materiais para o Zimbábue através das dioceses da Província da África Central. 

Nós pedimos que as igrejas da Comunhão Anglicana justem-se à Igreja da África do Sul no dia 25 de Fevereiro, Quarta-Feira de Cinzas, para um dia de oração e solidariedade ao povo do Zimbábue.

Como representantes da Comunhão Anglicana, nós reiteramos que não reconhecemos o status dos Bispos Nolbert Kunonga e Elson Jakazi como bispos da Comunhão Anglicana e nós pedimos pela completa restauração da propriedade Anglicana no Zimbábue à Província da África Central. 

Nós admiramos a iniciativa da Diocese São Marcos Evangelista (ACSA) que, com a colaboração do Palácio de Lambeth, o Escritório da Comunhão Anglicana e a Província da África Central, criaram uma capelania na fronteira do Zimbábue com a África do Sul para atender os muitos refugiados. Pedimos, também, o apoio de toda a Comunhão Anglicana a este trabalho. 

 

Alexandria, 03 de fevereiro de 2009.

( Tradução: Thiago Correia de Andrade- DAB).