O SADD-IEAB e o Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres

Por Lilian Conceição de Lira

2013 tem se constituído como um ano de Ativismo do Serviço de Diaconia e Desenvolvimento da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (SADD-IEAB) pelo Fim da Violência contra as Mulheres, pois voltamos nossos esforços e nossa atenção integral à elaboração, publicação, lançamento, divulgação e capacitação de lideranças da nossa Igreja em todo o Brasil, sobre como pode e deve ser nossa Diaconia Social e Política como Prevenção e Enfrentamento à Violência contra as Mulheres.

A 1ª edição da publicação “Prevenção e Enfrentamento à Violência contra as Mulheres” teve 1.000 exemplares impressos e tem se constituído como um instrumento didático-pastoral importantíssimo para a nossa formação em toda a IEAB. A publicação é resultado da parceria entre o SADD e a Christian Aid. Os conteúdos da publicação foram traduzidos para as línguas inglesa e espanhola, na perspectiva de alcançarmos comunidades anglicanas de outras partes da Comunhão Anglicana. Tudo isso graças aos esforços coletivos de pessoas e entidades parceiras que têm acolhido todas as iniciativas decorrentes desta ação.

As 9 Dioceses e o Distrito Missionário da IEAB têm promovido encontros, oficinas, agendas diversas nas quais tem sido pautado o tema que tem despertado à Igreja para um testemunho concreto de intervenção social a partir de sua realidade local, assumindo que a violência contra as mulheres é um mal que também se encontra dentro das comunidades religiosas e que deve ser combatido e transformado, de modo que seja possível uma vida plena para todas as pessoas, dentro e fora da Igreja.

O mais surpreendente durante este processo tem sido o compartilhamento de dons e talentos, saberes e conhecimentos, desejos e sonhos, testemunhos de vida e superação, que nos tem servido a todas as pessoas partícipes dessa permanente Campanha como estímulo e fortalecimento para que sigamos em frente, conscientes de que estamos no caminho certo e que cada pessoa tem um papel fundamental na implementação de ações de sensibilização, prevenção e enfrentamento. Cada pessoa que chega e se soma, apercebe-se mais fortalecida e consciente de não estar sozinha e que esta é uma causa que nasce do coração de Deus, que tem Seu Corpo mutilado e violado diariamente, a cada vez que uma mulher é violentada e mutilada.

Outra surpreendente e encantadora descoberta que temos feito é que à medida que outras denominações cristãs, e até mesmo comunidades religiosas não cristãs, conhecem a publicação do SADD, nela encontram eco de como também poderão implementar ações de prevenção e enfrentamento à violência contra as mulheres a partir de suas realidades. O que significa que a publicação tem se constituído também como um instrumento para o diálogo inter-religioso em prol de uma cultura de paz, na qual mulheres e homens, crianças e pessoas idosas, adolescentes e jovens, todas as pessoas, de todas as etnias, identidades de gênero, com ou sem deficiências, são convidadas a construírem outras alternativas de relações humanas baseadas na equidade, ou seja, igualdade e justiça.

Não por acaso, a teóloga feminista brasileira Ivone Gebara tem denunciado e anunciado que o maior desafio às Feministas no presente século é romper com as cadeias religiosas. Nesta perspectiva, a publicação do SADD também tem se constituído como um instrumento de aproximação da Igreja com os Movimentos Feministas, à medida que apresenta alternativas feministas, desde dentro da Igreja, de superação destas cadeias, desvelando o Feminismo como um Movimento Profético que promove vida digna a todas as pessoas. Ou seja, uma oportunidade de revisão de conceitos, de papéis e de perspectivas.

Enfim, o processo de prevenção e enfrentamento à violência contra as mulheres, adotado pelo SADD-IEAB, se constitui também como uma reafirmação da Campanha pelos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher, que compreende os dias:

25 de no­vembro – declarado pelo I Encontro Feminista da América Latina e Caribe, em 1981, como o Dia Internacional de Não Violência Contra as Mulheres.

 

1º de dezembroDia Mundial de Luta contra a Aids – declarado pela Assembleia Mundial de Saúde com o apoio da ONU, e,  consequentemente, Dia de Enfrentamento ao Fenômeno da Feminização da Aids.

 

06 de dezembro, Campanha Laço Branco – Homens pelo Fim da Violência contra a Mulher, iniciada em 1989, a partir do assassinato de 14 jovens mulheres por serem estudantes de engenharia no Canadá, algo inadmissível ao assassino Marc Lepine. Uma oportunidade especial para os homens dizermos que não compactuamos com esta violência e nos irmanarmos pela não à violência contra as mulheres.

 

10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos, para celebrar a publicação da Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 1948, pela Assembleia Geral das Nações Unidas.

 

Aqui no Brasil, em alguns lugares a Campanha inclui também o Dia 20 de Novembro, Dia da Consciência Negra, para nos chamar a atenção a um fato agora comprovado estatisticamente: As Mulheres Negras são vítimas de mais de 60% dos assassinatos de mulheres no país, conforme pesquisa recente do IPEA.

 

Sonhamos com um mundo livre da violência contra as mulheres e contra as meninas. Desejamos e queremos nos empenhar mais e mais para que cada vez mais, mais pessoas se somem a nós na realização deste sonho. Pois como já disse o poeta “sonho que se sonha junto é realidade”.

Não à violência contra as mulheres! Sim à Vida!

SADD – IEAB