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IEAB emenda seus cânones e permite o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo

Num momento histórico, a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil votou a favor de estender o matrimônio a casais do mesmo sexo por uma grande maioria de votos – 57 a favor, 3 contra e 2 abstenções. Esta é a terceira vez que o assunto é trazido à consideração do Sínodo Geral.

A mudança canônica foi aprovada num ambiente pleno do Espírito Santo, amor mútuo e respeito. Foi precedida por um diálogo longo, profundo e espiritual. Esse diálogo formalmente iniciou em 1997, embora tenha um histórico informal muito mais antigo. Atingiu toda a província desde então, através da metodologia indaba, conferências, consultas, orações e publicações bíblico-teológicas.

O Serviço Anglicano de Diaconia e Desenvolvimento (SADD) e o Centro de Estudos Anglicanos (CEA) receberam a comissão do Sínodo Geral de 2013 (o primeiro a receber tal pauta formalmente) de modo a aprofundar o diálogo entre as dioceses da província. É digno de nota que o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo é legal no Brasil inteiro desde 2012.

Recebemos representantes internacionais como o Primaz da Igreja Episcopal Escocesa, Bispo Mark Strange, e da Bispa Linda Nichols, da Diocese de Huron (Igreja Anglicana do Canadá). Ambos partilharam com o Sínodo Geral suas experiências provinciais relativas ao tema.

Reafirmamos nosso compromisso com o Evangelho de Jesus e a pertença à Família Global Anglicana, à medida que buscamos continuar a caminhar conjuntamente com aquelas pessoas de quem discordamos e responder aos desafios à nossa frente, dentro de nossos contextos.

“Senti a decisão como resultado da presença e trabalho do Espírito Santo. Isso amplia nossas fronteiras, permitindo que nós possamos ser mais acolhedoras(es) à diversidade no nosso país”, disse o Primaz do Brasil, Bispo Francisco de Assis da Silva.

O Secretário Geral da IEAB, Rev. Arthur Cavalcante, deu seu testemunho ao Serviço de Notícias: “Como membro da comunidade LGBT, acompanhei esse debate desde seu início, primeiramente como leigo e depois como clérigo ordenado. Senti na pele a discriminação e a perseguição quando me assumi na Diocese do Recife, e vi colegas terem lutas similares. Algumas pessoas deixaram a Igreja, outras perderam fé nas suas estruturas. Quando fui escolhido Secretário Geral em 2011, a Igreja estava ciente de minha orientação sexual e do fato de que estava em união estável com meu companheiro, Dr. David Morales. Isso não foi impedimento a tal função crucial. Em 2016, tivemos um sínodo extraordinário de modo a discutir nossos cânones como um todo. A discussão acerca do Santo Matrimônio foi muito desafiadora porque convidou a Igreja a falar sobre o tema mais abertamente. Permitiu às dioceses participar de discussões aprofundadas num tópico que não tinha sido plenamente debatido em todas as partes da Igreja até então. Sinto-me orgulhoso em testemunhar esse dia histórico para a Igreja brasileira, que é também o dia em que celebramos o 128o aniversário de sua fundação pelos nossos pioneiros e pioneiras. Nos posicionamos como um farol num momento em que este país (e o mundo) encontram tamanhas dificuldades, como o fundamentalismo religioso e as intolerâncias. Termino meu mandato como secretário geral plenamente realizado.”

Não serão necessárias mudanças litúrgicas, visto que o rito matrimonial do Livro de Oração Comum de 2015 foi adequado à neutralidade de gênero e deverá ser usado para a celebração do matrimônio entre duas pessoas de quaisquer gêneros.

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