Palavra do Bispo Primaz da IEAB sobre a “nova província anglicana do Brasil”

Santa Maria, 15 de maio de 2018

Irmãos e irmãs
Tenho assistido a diversas manifestações nos últimos dias a respeito da criação de uma “província” anglicana do Brasil. Através de redes sociais, tem sido anunciada esta nova organização eclesiástica que se auto-define como anglicanos fiéis à Escritura que não aderiram ao chamado “liberalismo teológico”.
Em longo texto de apresentação, em sua página do Facebook, esta “província” se assume como sucessora de movimentos de reavivamento evangélico que teve sua origem na cidade do Recife e foi inspirado por um conjunto de lideranças que pertenceram à Diocese Anglicana do Recife.
Este é o grupo que rompeu com a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, em 2004, apropriando-se de templos e imóveis da IEAB e causando um cisma que quase destruiu a diocese, naquela década de tantos conflitos dentro da Comunhão Anglicana.
Após um longo período de disputa judicial, finalmente a Justiça deu ganho de causa à IEAB declarando-a legítima detentora dos templos e propriedades. Estes templos hoje estão gradativamente sendo os espaços de reconstrução missionária da Diocese Anglicana do Recife.
É importante esclarecer ao público que esta “província” anglicana do Brasil não tem comunhão a Sé de Cantuária, não estando submetida ao Arcebispo de Cantuária, mas a uma aliança de conservadores sob a direção do Primaz de Uganda, Stanley Ntagali, um dos líderes de contestação ao Arcebispo Justin Welby, que inclusive boicotou a última reunião dos Primazes, realizada em Cantuária, em outubro passado.
Como Primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, conclamo nossos fiéis a estarem atentos para não serem identificados com este movimento. Inclusive, mediante redes sociais, muitos dos nossos fiéis, e alguns líderes têm sido associados à página chamada Beleza da Igreja Anglicana. Isso causa confusão porque há inclusive uso indevido de fotos de comunidades da IEAB como se fossem parte dessa tal “província”.
É muito importante deixar claro que não temos nenhuma relação, comunicação ou intenção de relação com esta dita província anglicana. Este alerta serve também para os nossos parceiros ecumênicos. A liberdade de organização é um direito constitucional em nosso país e, portanto, não queremos estabelecer nenhuma relação conflitiva no campo eclesial e teológico com este segmento.
Conforme expressou o Secretário Geral da Comunhão Anglicana, arcebispo Josiah Idowu-Fearon ao Church Times: “Esta província não é reconhecida como em comunhão com Cantuária. A última província oficialmente reconhecida pela Comunhão é a do Sudão do Sul, criada em 2017. Portanto não há nenhuma nova província”. Indagado pela repórter do mesmo jornal, respondi que “nossa IEAB é parte do movimento de Jesus e estamos dispostos a fazer o que ele nos pede: acolher todas as pessoas com amor e viver em justiça e em verdade”.
Francisco de Assis da Silva

Primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil

Diocesano em Santa Maria