Arcebispo de Cantuária emite declaração sobre a crise dos migrantes

Esta é uma imensa, complexa e cruel crise que realça a nossa fraqueza fraqueza e a fragilidade dos nossos sistemas políticos. O meu coração está quebrado pelas imagens e histórias de homens, mulheres e crianças que arriscaram as suas vidas para escapar do conflito, violência e perseguição.

Não existem respostas fáceis e as minhas orações estão com aqueles que estão a sofrer perseguição, tal como com aqueles que estão a lutar sob imensa pressão para desenvolver uma resposta efetiva e equitativa., Agora, talvez mais do que nunca na Europa do pós guerra, necessitamos de nos comprometer a juntar ações, reconhecendo a nossa comum responsabilidade e a nossa humanidade comum.

Enquanto cristãos acreditamos que somos chamados a quebrar barreiras, a dar as boas vindas ao estrangeiro e amá-los como a nós próprios (Levítico 19:34), e a buscar a paz e a justiça do nosso Deus, no nosso mundo, hoje.

Com o Inverno aproximar-se rapidamente e com a trágica guerra civil na Síria a ficar ainda mais fora de controlo, devemos todos estar conscientes que a situação pode ainda piorar significativamente. Estou encorajado pelo papel positivo que as Igrejas, e as agências internacionais de caridade estão já a ter, na Europa e na Síria e áreas circundantes, de forma a prover às necessidades humanas básicas. Estes esforços podem parecer triviais perante o desafio, mas se todos fizermos a nossa parte esta é uma crise que podemos resolver. Continue lendo “Arcebispo de Cantuária emite declaração sobre a crise dos migrantes”

Mensagem do Bispo Primaz pelos 125 anos da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil

Grandes coisas fez o Senhor por nós, pelas quais estamos alegres. Salmos 126:3

Grandes feitos começam com atitudes de ousadia. Há 125 anos os missionários Kinsolving e Morris corajosamente iniciaram os trabalhos de construção de uma comunidade episcopal no Brasil enfrentando todas as dificuldades possíveis, em um emblemático período de transição política, mas profundamente motivados pelo amor ao Evangelho e pelo serviço ao mundo.

Logo se seguiram outros homens e mulheres que abraçaram a causa com o mesmo sentimento, espalhando a semente por outros pagos do Rio Grande do Sul, construindo comunidades que foram conquistando as pessoas a se formarem em comunidades missionárias. As sementes brotaram e transpuseram as fronteiras do estado do Rio Grande do Sul e alcançaram outros rincões, estando hoje espalhada por todas as regiões brasileiras. De Belém à Jaguarão e de Recife a Porto Velho temos hoje comunidades pequenas em formação e comunidades centenárias vivendo a fé com o jeito anglicano de crer.

Não somos apenas comunidades que nos reunimos para adorar. A beleza de nossa Liturgia com certeza é uma marca distintiva de nossa Igreja. Mas somos mais que uma comunidade de adoração: somos uma comunidade que serve o nosso povo brasileiro. Em todos estes anos, sempre tivemos uma palavra que falou à sociedade brasileira. E temos agido na direção do bem comum, através da incidência pública, da educação, da assistência às pessoas excluídas, traduzindo em gestos o mandato do Evangelho.

Nos sentimos felizes em sermos reconhecidos como membros da Comunhão Anglicana, como companheiros em diálogo ecumênico com outras famílias cristãs e como parceiros das causas da justiça junto aos movimentos sociais em nosso país e outros parceiros internacionais. Somos respeitados dentro e fora de nosso país. Certamente não somos uma Igreja de grandes contingentes, mas somos uma Igreja de relevantes testemunhas da fé.

Desde nossas gerações primeiras, fomos educados na fé a cumprir a tarefa a nós confiada desde os santos e santas seguidoras de Jesus. Isso não ocorre de forma retilínea, mas em meio a franco e livre debate e convivência de idéias diferentes. Mas depositamos sempre nossos dissensos e nossas diferenças sobre a mesa eucarística para que o Cristo nos capacite a viver na busca do discernimento da vontade divina. Continue lendo “Mensagem do Bispo Primaz pelos 125 anos da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil”

Carta Pastoral da Câmara dos Bispos: Uma Palavra ao Povo de Deus sobre a Conjuntura Nacional

A religião pura e imaculada para com Deus e Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo.
Tiago 1:27

Diante dos escândalos e processos amplamente divulgados pela grande mídia envolvendo vários focos de corrupção em diferentes níveis, nos dirigimos ao povo e ao clero da nossa Igreja e a toda sociedade brasileira, constatando nossa preocupante realidade:

a) A corrupção é um mal histórico neste país, inclusive nos períodos de ditaduras cívicos-militares. Entendemos que é animador o enfrentamento a corrupção, quando preserva o sistema democrático, quando promove a reforma política com ampla participação popular, e quando envolve o compromisso com a mudança da cultura política e o fortalecimento da cidadania.

b) A corrupção está presente tanto no âmbito público como privado. Atingindo empresas nacionais e internacionais. É importante que tenhamos claro que o papel da mídia tem sido parcial deixando de ser esclarecedor, uma vez que expressa seus interesses e preferencias e não a real magnitude desde mal.

c) O Congresso nacional foi eleito sob o patrocínio de fortes interesses e poderes econômicos, fortalecendo os setores mais conservador e contrários as conquistas do povo trabalhador e dos direitos humanos. Prova disso, é a resistência à reforma política e o fim do financiamento empresarial das campanhas eleitorais; a tentativa de ampliação do alcance da terceirização, a proposta de revisão do estatuto do desarmamento, e a demarcação das terras indígenas, entre outras agendas de supressão de direitos.

d) Um ponto que tem merecido nossa especial atenção é a tentativa de reduzir a maioridade penal que, de forma nenhuma eliminará as causas nem aliviará o diagnóstico de violência em nosso país, conforme a juventude de nossa Igreja tão claramente manifestou.

e) Por outro lado o governo federal, formado por alianças indefinidas, propõe um reajuste fiscal que penaliza apenas as pessoas trabalhadoras, colocando em risco os programas sociais que aponta para a superação das desigualdades e dificultam o já fragilizado acesso aos direitos fundamentais de saúde, educação, segurança, entre outros. Enquanto isso, os ricos continuam desfrutando da proteção tributária no contexto nacional. Continue lendo “Carta Pastoral da Câmara dos Bispos: Uma Palavra ao Povo de Deus sobre a Conjuntura Nacional”

Mensagem de Natal do Bispo Primaz

Porque o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo. Romanos 14:17

Aos Bispos, ao Clero e ao Povo da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil,

Saudações em Jesus Cristo!

A profecia do terceiro domingo de Advento nos apontou um modelo de sociedade no qual prevalece os valores da Justiça, da Paz e da Alegria. Nada mais contraditório do que lermos estas passagens e compararmos com a sociedade que enxergamos ao nosso redor. Nossa sociedade está cada dia mais materialista, consumista, imediatista. Tudo se converte em coisa, mercadoria. A linguagem da generosidade e da solidariedade tem sido substituída pela linguagem da violência. Parece criar a sensação de que não temos mais esperanças de vivenciar os valores da plena humanidade e da solidariedade entre povos, nações, religiões, gênero e classes sociais.Além disso, vivemos diariamente o drama de uma sociedade que se desumaniza a passos cada vez mais largos. Uma moderna Babel dividida entre os poderosos e os excluídos.

A Igreja é chamada a viver com firmeza a contracultura que nos é proposta pelo Menino Deus. É ele que vem destronar os poderosos e aqueles que regulam o mundo à luz de suas próprias cobiças. É ele que vem afirmar que os oprimidos é que sentarão à mesa de Deus e vivenciar a beleza e a alegria das bem-aventuranças! O projeto de Deus é de que vivamos a vida plena, abundante. É um menino que nasce na periferia do mundo que vem assegurar que, apesar da aparente impunidade e autoconfiança do modelo que nos circunda, é possível proclamar que a Justiça e a Paz prevalecerão. Esta é a razão de ser da Igreja: anunciar que uma nova sociedade é possível! Continue lendo “Mensagem de Natal do Bispo Primaz”

Mensagem de Advento 2014 do Bispo Primaz

Irmãos e Irmãs,

“Digo isto porque sabemos tempo que já é hora de vos despertardes do sono; porque agora está mais perto de nós a salvação, do que quando recebemos a fé”. (Rom 13:11)

O Advento é tempo de preparação. A Igreja celebra cada ano esta quadra que deve significar para nós um momento de mergulho para dentro de nós mesmos e percebermos até onde estamos preparados para receber o “Bendito que vem em nome do Senhor”! A coleta do Primeiro Domingo do Advento nos exige rejeitar as obras das trevas e vestirmos das armas da luz o que parece ser uma linguagem militar, de confronto claro, onde não é possível se ficar neutro. Para alguns isso pode parecer uma linguagem exagerada! Mas, dispensando o imaginário de uma batalha literalmente renhida, o Advento é tempo de deixarmos claro que projeto de vida e de sociedade o Principe da Paz deseja para a humanidade.

Nossa sociedade está estruturada sobre uma ideologia do consumo e da coisificação de tudo. Estamos assistindo uma excêntrica exploração da festa do Natal pelos poderosos deste mundo. Vivemos um espécie de síndrome de Herodes. Explico: o interesse de Herodes de ver o Menino não era para adora-lo, como disse aos Magos. Assim também o mercado não quer saber de Jesus. Quer saber de lucro, de consumo. O que menos importa é o Menino. Aliás, muitos meninos e meninas, como Jesus, estão jogados à própria sorte em nossa sociedade. Meninos e meninas não interessam, a menos que sejam consumidores! Continue lendo “Mensagem de Advento 2014 do Bispo Primaz”

CAMPANHA DOS 16 DIAS DE ATIVISMO PELA SUPERAÇÃO DA VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES

MENSAGEM DO BISPO PRIMAZ E DA COMISSÃO DE INCIDÊNCIA PÚBLICA
CAMPANHA DOS 16 DIAS DE ATIVISMO PELA SUPERAÇÃO DA VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES

Estamos vivendo mais uma Campanha que tem tido alcance mundial. Trata-se da Campanha de ativismo contra a violência de Gênero que tem mobilizado Igrejas – nossa Igreja Anglicana tem assumido esta Campanha – ONGs, Movimentos Sociais e Organismos Ecumênicos.

Precisamos continuar erguendo nossas vozes contra a violência institucionalizada contra as mulheres no mundo inteiro. Aqui no Brasil, mesmo com avanços nas políticas afirmativas, ainda somos um país que ocupa vergonhoso posto de país onde a violência contra as mulheres alcança níveis insuportáveis.

Dia a dia, em nossa sociedade construída sobre padrões de comportamento machista, vemos a continuidade do feminicídio, da exclusão das mulheres ao acesso ao mercado de trabalho, da desigualdade salarial, da exclusão de políticas públicas de saúde, entre tantos outros desafios que parecem crescer a uma velocidade exponencial e cujas soluções e enfrentamento se dão ainda de forma lenta e com raríssimos sucessos.

A IEAB tem afirmado seu compromisso claro de enfrentar o problema da violência contra as mulheres. O SADD tem sido um uma importante âncora no processo de conscientização e educação da Igreja sobre este tema. No entanto, reconhecemos que sozinho(a)s não temos logrado os avanços concretos que desejamos. É necessário juntar forças com a sociedade civil e com outros atores políticos e sociais para que esta mancha que envergonha nossa sociedade possa ser eliminada. Continue lendo “CAMPANHA DOS 16 DIAS DE ATIVISMO PELA SUPERAÇÃO DA VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES”

Um novo lecionário para o povo da IEAB

Irmãos e Irmãs

“E mais, que o povo (ouvindo as Escrituras Sagradas lidas na Igreja) pudesse aprofundar-se cada vez mais no conhecimento de Deus, e ser contagiado pelo amor da sua verdadeira religião”.
Prefácio do LOC de 1549

Tenho a imensa satisfação de anunciar que neste tempo de começo litúrgico de um novo ano, a IEAB passa a usar o Lecionário Comum Revisado. A Comissão Provincial de Liturgia (*) está ultimando as revisões dos ofícios que estarão contidos no novo LOC brasileiro, programado para ser lançado no mês de Junho de 2015. Quero parabenizar todos os membros dedicados desta Comissão que não tem medido esforços para atender a demanda de toda a Igreja que é ter em suas mãos um novo LOC, revisado, ampliado, e atualizado teológica e culturalmente à realidade brasileira. Todo este processo tem recebido o aval da Câmara dos Bispos, do Conselho Executivo e do próprio Sínodo de nossa IEAB.

Neste processo rico de aprendizado e de produção de uma liturgia bem brasileira, a Igreja tem experimentado, nas dioceses e nos eventos provinciais, as liturgias eucarísticas com linguagem apropriada, inclusiva e mais próxima possível do jeito brasileiro de celebrar a nossa fé anglicana.

Ao lado dos Ofícios em suas múltiplas relações com a vida comunitária e individual e do Saltério, com sua poesia litúrgica dos Salmos da Bíblia, temos uma importante ferramenta que educa a Igreja em seu dia a dia: o Lecionário. Nele encontramos as leituras apropriadas para os ofícios eucarísticos, dominicais e também para as devoções diárias. Por isso, e também abraçando a riqueza ecumênica, a IEAB, com expressa autorização da Câmara dos Bispos, adota com alegria o Lecionário Comum Revisado.

Construído ecumenicamente durante um longo processo, O Lecionário Comum Revisado hoje é adotado pela grande maioria das Igrejas Cristãs que estão em diálogo umas com as outras para permitir que assim todos possamos celebrar da forma mais sinérgica possível a liturgia da Palavra e os temas chaves do Ano Cristão. Continue lendo “Um novo lecionário para o povo da IEAB”

Carta Pastoral da Câmara dos Bispos sobre as Eleições 2014

URNA_ELETRONICA“Ó Deus, dá aos que governam os teus juízos, e a tua justiça aos filhos dos que governam.” Sl 72,1

Estamos nos aproximando de mais um pleito eleitoral em nosso país no qual iremos escolher os mandatários dos cargos governamentais e de representação nas Assembleias Legislativas e Congresso Nacional. Desde 1985 o povo brasileiro tem livremente escolhidos seus representantes e de- vemos manter vivo em nossa memória o custo dessa conquista e o valor das liberdades civis e políticas. Entendemos que a liberdade de escolha é um dom de Deus que devemos preservar.

Um dos componentes essenciais do exercício da liberdade de escolha é a avaliação das opções disponíveis. Isto vale para todas as situações, raramente a realidade nos confronta com situações sem alternativa. Porém, algumas vezes o desencanto com a política se transforma em cinismo. Pessoas são levadas a suspender sua capacidade de julgamento da realidade e passam a acreditar que ninguém tem autoridade moral para liderar politicamente.

Exortamos os(as) anglicanos(as) brasileiros(as) à responsabilidade de agirmos de forma íntegra no mundo público e isto nos inclui como eleitores(as) tanto quanto como candidatos(as). Cremos no Deus de amor e justiça que nos guia e aponta caminhos em todas as circunstâncias. Encorajamos nossos irmãos e irmãs a se colocarem em reflexão e escuta da voz de Deus nesse momento, para discernirem o que lhes pareça melhor para sua comunidade local e para nosso país. Entendemos que a vida é plural, que há muitas perspectivas possíveis de compreensão da realidade e que isto significa faremos escolhas diferentes. Estamos certos de que responderemos com fidelidade ao chamado de Deus se o fizermos inspirados pelos princípios da justiça e da solidariedade com os mais pobres e marginalizados.

O momento eleitoral é uma oportunidade de testemunharmos sobre os valores que acreditamos devam prevalecer no mundo público, mas também de apostarmos em projetos para o país, em transformações que beneficiem a maioria do povo, em políticas e leis que façam avançar as causas da justiça, da igualdade e da liberdade. Continue lendo “Carta Pastoral da Câmara dos Bispos sobre as Eleições 2014”

A Copa do Mundo e o povo brasileiro

Mensagem do Primaz da IEAB

Santa Maria, 11 de junho de 2014

Amanhã começa a Copa do Mundo no Brasil. O tema tem sido explorado de diversas formas e às vezes a ideologização do debate tem causado apaixonado conflito, especialmente neste ano de eleições.

Mas, o que devemos ver de fato? Enquanto evento, a Copa é uma oportunidade de congraçamento entre os povos. A paixão pelo esporte é muito saudável para a humanidade. O esporte tem sido meio, em muitos contextos, de dignificação da vida e da celebração da paz!

O que não devemos permitir, no entanto, é a mercantilização do esporte para afirmar ainda mais as desigualdades e injustiças. O futebol, em si, não tem culpa das mazelas que seus dirigentes e interessados na exploração capitalista do esporte tem reproduzido. Amantes do esporte não podem ser anestesiados no exercício de sua cidadania.

Infelizmente isso tem acontecido nos últimos anos. Devemos garantir que o futebol não seja explorado como mercadoria pelas grandes corporações internacionais no afã tão somente de lucros. Empresas e organizações de mídia tem capturado a beleza do esporte e auferido grandes lucros. A FIFA – que em tese é uma organização beneficente – vai lucrar 5 Bilhões do dólares com a Copa no Brasil. Os patrocinadores vão levar outro tanto. E o Brasil? Continue lendo “A Copa do Mundo e o povo brasileiro”