Mensagem do Bispo Primaz pelos 125 anos da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil

Grandes coisas fez o Senhor por nós, pelas quais estamos alegres. Salmos 126:3

Grandes feitos começam com atitudes de ousadia. Há 125 anos os missionários Kinsolving e Morris corajosamente iniciaram os trabalhos de construção de uma comunidade episcopal no Brasil enfrentando todas as dificuldades possíveis, em um emblemático período de transição política, mas profundamente motivados pelo amor ao Evangelho e pelo serviço ao mundo.

Logo se seguiram outros homens e mulheres que abraçaram a causa com o mesmo sentimento, espalhando a semente por outros pagos do Rio Grande do Sul, construindo comunidades que foram conquistando as pessoas a se formarem em comunidades missionárias. As sementes brotaram e transpuseram as fronteiras do estado do Rio Grande do Sul e alcançaram outros rincões, estando hoje espalhada por todas as regiões brasileiras. De Belém à Jaguarão e de Recife a Porto Velho temos hoje comunidades pequenas em formação e comunidades centenárias vivendo a fé com o jeito anglicano de crer.

Não somos apenas comunidades que nos reunimos para adorar. A beleza de nossa Liturgia com certeza é uma marca distintiva de nossa Igreja. Mas somos mais que uma comunidade de adoração: somos uma comunidade que serve o nosso povo brasileiro. Em todos estes anos, sempre tivemos uma palavra que falou à sociedade brasileira. E temos agido na direção do bem comum, através da incidência pública, da educação, da assistência às pessoas excluídas, traduzindo em gestos o mandato do Evangelho.

Nos sentimos felizes em sermos reconhecidos como membros da Comunhão Anglicana, como companheiros em diálogo ecumênico com outras famílias cristãs e como parceiros das causas da justiça junto aos movimentos sociais em nosso país e outros parceiros internacionais. Somos respeitados dentro e fora de nosso país. Certamente não somos uma Igreja de grandes contingentes, mas somos uma Igreja de relevantes testemunhas da fé.

Desde nossas gerações primeiras, fomos educados na fé a cumprir a tarefa a nós confiada desde os santos e santas seguidoras de Jesus. Isso não ocorre de forma retilínea, mas em meio a franco e livre debate e convivência de idéias diferentes. Mas depositamos sempre nossos dissensos e nossas diferenças sobre a mesa eucarística para que o Cristo nos capacite a viver na busca do discernimento da vontade divina. Continue lendo “Mensagem do Bispo Primaz pelos 125 anos da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil”

Nota pública de esclarecimento do Bispo Primaz da IEAB

O Primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Dom Francisco de Assis da Silva, vem a público expressar sua estranheza com a publicação, em redes sociais (Facebook), de perfil de uma chamada Faculdade Anglicana de Educação e Filosofia, mantida por uma igreja denominada Igreja Episcopal Anglicana do Rito Ocidental no Brasil.

A estranheza se deve ao uso indevido por parte desta instituição de imagem de capa de seu perfil onde aparecem clérigos da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, sem a expressa concordância dos mesmos. Este é uma séria violação do direito de imagem e que induz por consequência, pessoas ao erro de achar que esta organização tem algum vínculo com a IEAB.

Não temos nenhum laço de comunhão com esta instituição, nem com sua mantenedora. Esta é uma nota para conhecimento público com vistas a evitar consequências indesejáveis em nossas relações ecumênicas com outras Igrejas.

Estamos tomando as providências cabíveis para eliminar de vez esta constrangedora situação.

Santa Maria, 06 de Maio de 2015

++ Francisco
Primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil

Bispo Anglicano (IEAB) é eleito novo presidente do CONIC

Nova diretoria do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs
Nova diretoria do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs

No segundo dia de atividades da Assembleia Geral Ordinária do CONIC, 10 de abril, foi eleita a nova diretoria do Conselho. Assume a presidência o bispo anglicano Flávio Augusto Borges Irala (IEAB). A primeira vice-presidência ficou com o pastor luterano Inácio Lemke (IECLB) e a segunda vice-presidência será assumida pela ortodoxa Zulmira Inês Lourena Gomes da Costa (ISOA). A secretaria ficou com o presbítero Daniel Amaral (IPU) e a tesouraria estará a cargo de dom Teodoro Mendes Tavares (ICAR).

Além da eleição, foi apresentado o Relatório de Atividades (referente aos anos de 2013 e 2014), com destaques para o processo de elaboração do novo Plano Estratégico e para a ampliação do alcance do site do CONIC por conta, entre outras coisas, da parceria com a Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC).Anecessidade de as igrejas-membro incorporarem a Semana de Oração nos seus calendários oficiais foi outra discussão importante da Assembleia. Continue lendo “Bispo Anglicano (IEAB) é eleito novo presidente do CONIC”

Declaração do II Encontro de Igrejas Lusófonas da Comunhão Anglicana

Sonho que se sonha só é apenas um sonho.
Sonho que se sonha junto é o começo da realidade.
(Miguel de Cervantes)

O II Encontro de Igrejas Lusófonas da Comunhão Anglicana reunido sob a inspiração do Espírito Santo, na cidade do Recife, no Estado de Pernambuco, Brasil, de 26 a 28 de fevereiro de 2015, congregou 27 pessoas, entre delegadas e convidadas, incluindo bispos, clérigas, clérigos e pessoas leigas das Dioceses dos Libombos e Niassa (Moçambique) e de Angola da Igreja Anglicana da África Austral, da Igreja Lusitana Católica Apostólica Evangélica (Portugal) e da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB), sendo essa última a anfitriã do Evento, que decorreu com a parceria e o apoio da Anglican Aliance e The United Society (Us). Para além destas organizações, estiveram também presentes: o representante da IEAB no Conselho Consultivo Anglicano (CCA), a Comissão Nacional de Diaconia Social da IEAB; o Serviço Anglicano de Diaconia e Desenvolvimento (SADD) da IEAB; o Centro de Estudos Anglicanos (CEA) da IEAB; o Grupo de Trabalho da Juventude da IEAB; a União das Mulheres Episcopais Anglicanas do Brasil (UMEAB); o Instituto Anglicano de Estudos Teológicos e o Departamento de Mulheres da Igreja Lusitana; a União das Mães, de Libombos, Moçambique.

O Encontro constituiu um importante espaço de celebração, partilha e reflexão, com momentos devocionais, sessões plenárias, partilha em grupos, estudo bíblico com o tema “quem é o/a meu/minha próximo/a”, a partir do texto de Lucas 10:25-37; e um WEBINAR transmitido on line. Na agenda de trabalho tiveram destaque os seguintes temas geradores: (a) o papel de jovens; (b) o papel das mulheres; (c) educação cristã e formação teológica; (d) diaconia e desenvolvimento social. Continue lendo “Declaração do II Encontro de Igrejas Lusófonas da Comunhão Anglicana”

Diocese Anglicana do Recife sedia II Encontro de Dioceses Lusófonas

Foto encontro lusófono 2

Foto encontro lusófono 1A Igreja Episcopal Anglicana do Brasil e a Diocese Anglicana do Recife acolheram, nos dias 24 a 28 de fevereiro, o II Encontro de Dioceses Lusófonas da Comunhão Anglicana. Sedia no Recife, com apoio do Escritório da Comunhão Anglicana, da Aliança Anglicana e da US (antiga USPG), o encontro foi um momento de comunhão, espiritualidade e partilha dos anglicanos de fala portuguesa. Estiveram representadas as Dioceses Anglicanas de Libombos, Niassa, Angola, Portugal e a IEAB. Durante o encontro foi criada a Rede Lusófona da Comunhão Anglicana e a Diocese Anglicana do Recife firmou um acordo de companheirismo com a Diocese Anglicana de Angola. No domingo, 01 de março, uma celebração Eucarística marcou o encerramento das atividades do Encontro Lusófono Anglicano, na Catedral da Santíssima Trindade, com a presença de alguns representantes das delegações, do bispo diocesano Dom João Peixoto e do Primaz da IEAB, Dom. Francisco de Assis.

“Foi com imensa alegria que nossa Província acolheu o Encontro e podemos dizer com certeza que saímos fortalecidos para tornar mais visível dentro da Comunhão Anglicana a família de fala portuguesa”, afirmou o Bispo Primaz da IEAB. O encontro foi uma oportunidade de estreitar os laços entre as Igrejas de fala portuguesa abrindo horizontes de cooperação nas áreas de Educação Teológica, Diaconia e Desenvolvimento e Missão. Atualmente 267.396.837 pessoas falam a língua portuguesa no mundo.

Mensagem de Natal do Bispo Primaz

Porque o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo. Romanos 14:17

Aos Bispos, ao Clero e ao Povo da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil,

Saudações em Jesus Cristo!

A profecia do terceiro domingo de Advento nos apontou um modelo de sociedade no qual prevalece os valores da Justiça, da Paz e da Alegria. Nada mais contraditório do que lermos estas passagens e compararmos com a sociedade que enxergamos ao nosso redor. Nossa sociedade está cada dia mais materialista, consumista, imediatista. Tudo se converte em coisa, mercadoria. A linguagem da generosidade e da solidariedade tem sido substituída pela linguagem da violência. Parece criar a sensação de que não temos mais esperanças de vivenciar os valores da plena humanidade e da solidariedade entre povos, nações, religiões, gênero e classes sociais.Além disso, vivemos diariamente o drama de uma sociedade que se desumaniza a passos cada vez mais largos. Uma moderna Babel dividida entre os poderosos e os excluídos.

A Igreja é chamada a viver com firmeza a contracultura que nos é proposta pelo Menino Deus. É ele que vem destronar os poderosos e aqueles que regulam o mundo à luz de suas próprias cobiças. É ele que vem afirmar que os oprimidos é que sentarão à mesa de Deus e vivenciar a beleza e a alegria das bem-aventuranças! O projeto de Deus é de que vivamos a vida plena, abundante. É um menino que nasce na periferia do mundo que vem assegurar que, apesar da aparente impunidade e autoconfiança do modelo que nos circunda, é possível proclamar que a Justiça e a Paz prevalecerão. Esta é a razão de ser da Igreja: anunciar que uma nova sociedade é possível! Continue lendo “Mensagem de Natal do Bispo Primaz”

Tráfico de pessoas: uma breve reflexão teológica

A Comissão de Direitos Humanos da Diocese Anglicana da Amazônia resolveu apoiar a realização de um painel informativo sobre o tráfico de pessoas, na Catedral de Santa Maria, Belém – PA, manifestando assim seu completo repúdio a essa violência contra o ser humano. Uma atitude ousada por se tratar de um crime organizado com dimensões internacionais, um mercado que movimenta 35 bilhões por ano,  e sobre o qual a sociedade mantêm um “pacto silencioso de reprovação moral e aceitação prática”[1], especialmente na nossa região Amazônica. Todavia, a Comissão tomou está decisão acreditando que faz parte da vocação profética da Igreja denunciar todos os absurdos que se cometem contra a humanidade e a vida no planeta.

No entanto, esse silêncio tem sido de alguma forma quebrado, desde o início deste século que o tráfico de pessoas vem cada vez mais chamando a atenção de autoridades nacionais e de organismos internacionais. Como resultado disso foi constituída uma Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI) na Câmara Federal. A mesma coisa acontecendo na Assembleia Legislativa do Pará com o objetivo de “investigar o Tráfico de Seres Humanos no Estado do Pará para fins de exploração sexual, trabalho escravo, remoção e comércio de órgãos”[2]. O tema também ganhou mais visibilidade na sociedade ao ser abordado pela autora Glória Perez numa novela da Rede Globo de Televisão, Salve Jorge.

O Estado brasileiro possui muitas deficiências para enfrentar esse problema devido a ausência de políticas públicas e de legislação específica. Até mesmo para definir esse crime ainda nos valemos de um documento das Nações Unidas, chamado Protocolo de Palermo, no qual o tráfico humano é definido como sendo “o recrutamento, o transporte, a transferência, o alojamento ou acolhimento de pessoas, recorrendo à ameaça ou uso de força ou a outras formas de coação, ao rapto, a fraude, ao engano, ao abuso de autoridade ou à situação de vulnerabilidade ou a entrega ou à aceitação de pagamentos ou benefícios para obter o consentimento de uma pessoa que tenha autoridade sobre a outra para fins de exploração”[3].

Fica claro, logo de início, que para enfrentá-lo de fato precisamos de ações conjuntas e bem articuladas, pois trata-se de uma questão complexa que fere a dignidade do ser humano e exigindo uma abordagem multidisciplinar. Consciente disso, neste texto não pretendo invadir a área de outros especialistas e nem apresentar os dados levantados pelas diversas comissões parlamentares que têm se debruçado sobre casos concretos, minha única pretensão aqui é contribuir com uma breve reflexão teológica que respalde a prática das pessoas de boa vontade que se unem contra as injustiças na construção de um mundo melhor. Continue lendo “Tráfico de pessoas: uma breve reflexão teológica”

Mensagem de Advento 2014 do Bispo Primaz

Irmãos e Irmãs,

“Digo isto porque sabemos tempo que já é hora de vos despertardes do sono; porque agora está mais perto de nós a salvação, do que quando recebemos a fé”. (Rom 13:11)

O Advento é tempo de preparação. A Igreja celebra cada ano esta quadra que deve significar para nós um momento de mergulho para dentro de nós mesmos e percebermos até onde estamos preparados para receber o “Bendito que vem em nome do Senhor”! A coleta do Primeiro Domingo do Advento nos exige rejeitar as obras das trevas e vestirmos das armas da luz o que parece ser uma linguagem militar, de confronto claro, onde não é possível se ficar neutro. Para alguns isso pode parecer uma linguagem exagerada! Mas, dispensando o imaginário de uma batalha literalmente renhida, o Advento é tempo de deixarmos claro que projeto de vida e de sociedade o Principe da Paz deseja para a humanidade.

Nossa sociedade está estruturada sobre uma ideologia do consumo e da coisificação de tudo. Estamos assistindo uma excêntrica exploração da festa do Natal pelos poderosos deste mundo. Vivemos um espécie de síndrome de Herodes. Explico: o interesse de Herodes de ver o Menino não era para adora-lo, como disse aos Magos. Assim também o mercado não quer saber de Jesus. Quer saber de lucro, de consumo. O que menos importa é o Menino. Aliás, muitos meninos e meninas, como Jesus, estão jogados à própria sorte em nossa sociedade. Meninos e meninas não interessam, a menos que sejam consumidores! Continue lendo “Mensagem de Advento 2014 do Bispo Primaz”

Um novo lecionário para o povo da IEAB

Irmãos e Irmãs

“E mais, que o povo (ouvindo as Escrituras Sagradas lidas na Igreja) pudesse aprofundar-se cada vez mais no conhecimento de Deus, e ser contagiado pelo amor da sua verdadeira religião”.
Prefácio do LOC de 1549

Tenho a imensa satisfação de anunciar que neste tempo de começo litúrgico de um novo ano, a IEAB passa a usar o Lecionário Comum Revisado. A Comissão Provincial de Liturgia (*) está ultimando as revisões dos ofícios que estarão contidos no novo LOC brasileiro, programado para ser lançado no mês de Junho de 2015. Quero parabenizar todos os membros dedicados desta Comissão que não tem medido esforços para atender a demanda de toda a Igreja que é ter em suas mãos um novo LOC, revisado, ampliado, e atualizado teológica e culturalmente à realidade brasileira. Todo este processo tem recebido o aval da Câmara dos Bispos, do Conselho Executivo e do próprio Sínodo de nossa IEAB.

Neste processo rico de aprendizado e de produção de uma liturgia bem brasileira, a Igreja tem experimentado, nas dioceses e nos eventos provinciais, as liturgias eucarísticas com linguagem apropriada, inclusiva e mais próxima possível do jeito brasileiro de celebrar a nossa fé anglicana.

Ao lado dos Ofícios em suas múltiplas relações com a vida comunitária e individual e do Saltério, com sua poesia litúrgica dos Salmos da Bíblia, temos uma importante ferramenta que educa a Igreja em seu dia a dia: o Lecionário. Nele encontramos as leituras apropriadas para os ofícios eucarísticos, dominicais e também para as devoções diárias. Por isso, e também abraçando a riqueza ecumênica, a IEAB, com expressa autorização da Câmara dos Bispos, adota com alegria o Lecionário Comum Revisado.

Construído ecumenicamente durante um longo processo, O Lecionário Comum Revisado hoje é adotado pela grande maioria das Igrejas Cristãs que estão em diálogo umas com as outras para permitir que assim todos possamos celebrar da forma mais sinérgica possível a liturgia da Palavra e os temas chaves do Ano Cristão. Continue lendo “Um novo lecionário para o povo da IEAB”