Mulheres Ocultas nas Igrejas

Ottília Chaves (19XX-19XX), leiga que exerceu um importante papel na construção da Igreja Metodista no Brasil, reportava-se à “turma do tricô”, referindo-se às mulheres que ficavam sentadas nas últimas cadeiras nos espaços conciliares, fora dos limites do plenário, assistindo a decisões tomadas pelos homens, leigos e pastores.

“Hoje, sabemos que essas mulheres eram ativas na igreja e na sociedade”, frisou Margarida, que defendeu tese de doutorado focada em “Rastros e rostos de mulheres no Protestantismo brasileiro”, tema da aula magna. Professora da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp), Margarida coordena o programa de extensão da FaTeo. Mais

O que você está doando nesta Quaresma?

michelle

Por Francisco de Assis – Secretário Geral IEAB

Esta foto publicada na Folha de São Paulo mostra Michelle Obama, Primeira Dama dos Estados Unidos, servindo num bandejão popular, como parte do programa de incentivo ao trabalho voluntário naquele país. Este foi um dos pontos explorados pelo Presidente Obama para mostrar que a crise financeira mundial está gerando mais pobres e há uma concreta necessidade de a sociedade começar a trabalhar para ajudar concretamente as vítimas de uma crise que não sabemos ainda o alcance que terá.

Alguns poderão dizer que isso é jogada de marketing, mas ao meu ver, trata-se de uma realidade que precisa ser enfrentada com muita seriedade. As mudanças neste convulsivo mundo só ocorrerão quando houverem gestos de doação.

Nesta Quaresma, todos somos desafiados a oferecer nossos dons ao mundo como sinal de nossa autêntica conversão ao projeto de Deus. Doar nada mais é do que a nossa retribuição a Deus por tudo de bom que Ele nos doa constantemente!

Numa sociedade onde os valores mais afirmados são o egoísmo e a busca de imagem pessoal cosmetizada, a Quaresma é ocasião para caminharmos um pouco contra essa maré avassaladora.

A IEAB, assim como o mundo todo, Estados, Organizações, Empresas, e todas as formas coletivas de interação social, cultural e econômica vivem uma crise em alta escala.

No nosso caso especificamente, vemos um diagnóstico de desesperança e de crise financeira que tem atingido as comunidades locais, as dioceses e a própria Provincia. Os programas de Missão estão sofrendo cortes orçamentários e até mesmo as reuniões necessárias para a definição de estratégias e de decisões importantes para a vida da Igreja como um todo tem sido suspensas porque não se tem o dinheiro necessário para realizá-las. Por essa razão a doação de cada um/a é muito importante.

Mas eu continuo a afirmar: não temos falta de dinheiro. O que temos é falta de doação. Quantos de nossos leitores já se engajou concretamente na Campanha da Quaresma? Você já reservou um tempinho para ler os estudos propostos para este ano? Você já se comprometeu em usar aquele cofrinho, garrafa pet, latinha de cerveja ou refri para ir colocando as moedas e oferecer isso no Domingo de Ramos como doação ao Fundo de Missão da IEAB?

Ah! alguém pode dizer: “não to sabendo dessa Campanha!”. Ou até pode dizer: “Bem, eu ouvi falar mas na minha paróquia não está sendo divulgado isso!”

Então vá no site da IEAB. Veja o banner da Campanha. Clique nele e abrirão os estudos da Quaresma. Você pode baixá-los, imprimir e compartilhar com sua família e com seus amigos. Pergunte ao seu pároco/a se sua comunidade não pode fazer encontros pra estudar os textos. Pergunte se no Domingo de Ramos não vai se disponibilizar um cesto ou qualquer recipiente maior para que as moedas acumuladas nas casas não podem ser trazidas e depositadas.

Se ainda assim não for possível, você mesmo/a pode remeter a sua coleta de moedas para o Fundo de Missão pois as instruções estão na carta introdutória dos estudos.
Revele seu amor pela sua Igreja. Ela precisa daquilo que para você seja algo tão sem importância, mas que somado ao esforço e doação de outras pessoas poderão prover a IEAB dos recursos necessários para a continuidade de sua Missão.

Festa na Catedral Anglicana da Santíssima Trindade II

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Terça-feira, 3 de março , nasceram Letícia e Pedro filha e filho  de  Karina Advíncula e do Revmo. Sérgio Andrade, Deão da Catedral Anglicana da Santíssima Trindade.

A famlia anglicana está crescendo! E estamos felizes pelo dom da vida!

Que Deus, em sua misericordia e amor, esteja protegendo e cuidando da familia do Revmo. Sérgio dando saúde e muita tranquilidade.

MARÇO: MÊS DA JUVENTUDE ANGLICANA

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http://www.youtube.com/watch?v=LZEU6q1Tn84

Secretário Geral visita Diocese Anglicana do Recife

Por Francisco de Assis da Silva

Uma calorosa acolhida foi dispensada ao Secretário Geral da IEAB durante sua passagem pela diocese no último fim de semana. No sábado, nas dependências da Catedral, reuniu-se o clero e ministros pastorais da diocese para uma conversa sobre a atual conjuntura provincial e seus avanços e dificuldades.

clero e SG reunidos

Foi feito um resgate histórico do crescimento da Igreja Provincial e se partilhou a importancia dessa interdependência entre as esferas locais (paróquias e comunidades) e as esferas diocesana e provincial.
Falou-se sobre a importância da solidariedade entre as instãncias, tomando como mais recente exemplo a contribuição de paróquias, dioceses e pessoas no apoio à reposição do mobiliário e equipamentos de som da Paróquia da Trindade em Ariquemes.

O Secretário Geral e a Revda. Lilian Silva expuseram como será a Campanha da Quaresma e motivaram as lideranças diocesanas a se engajar nessa Campanha. A Campanha será lançada nos próximos dias para todas as comunidades da Provincia. Outro item da agenda foi uma rica conversação sobre os meios de comunicação da Igreja, especialmente o Estandarte Cristão. Ficou o compromisso de envio para as comunidades dos dois últimos exemplares de nossa revista para estimular mais assinaturas na âmbito da diocese.

celebração d. helder

O Secretário Geral acompanhou o bispo D. Sebastião e sua esposa Madalena Soares nas celebrações realizadas no sábado à tarde em homenagem ao Centenário de nascimento de D. Helder Câmara. Vinte bispos e oitenta padres participaram de uma emocionante celebração com a presença de mais de mil pessoas entre fiéis, autoridades e representantes ecumênicos. Nesta ocasião, foi lançado o sêlo em homenagem ao denominado Pastor da Paz.

catedral ss trindade

No domingo, a agenda do Secretário Geral incluiu a participação nos dois ofícios na Catedral da SS Trindade. Um belo templo construido com muita paixão pela comunidade (foto) Pela manhã, o bispo D. Sebastião presidiu a Eucaristia e reflexão foi conduzida pelo Deão Sérgio Andrade. À tarde, diante de uma congregação composta em sua maioria por jovens, a celebração foi presidida pelo Deão. Em sua fala às duas congregações, o Rev. Francisco de Assis lembrou a fidelidade daquela comunidade e sua liderança firme na superação dos tristes episódios que abalaram a todos nós. Lembrou também que na tradição anglicana os laços que unem as comunidades locais, suas dioceses e a Província ajudam a compor a autêntica interdependência de dons e de serviço para o testemunho eficaz do Evangelho.
Um grande destaque nestas duas celebrações foi a instituição de um novo ministério para crianças através do projeto chamado Nova Geração que inclui um atualizadíssimo currículo voltado para as crianças e que inclui além de estudos da Bíblia uma formação em meio ambiente, gênero e corporalidade.
Outra ênfase que está sendo afirmada é a da formação com a realização de cursos para leigos e lideranças paroquiais em torno de temas como liturgia, teologia e história da Igreja.
Uma visita que certamente mostra para toda a Igreja provincial como a diocese do Recife, mesmo em meio a seus grandes desafios está construindo com muita maturidade e com muita esperança o seu futuro.

O Rev. Cônego Francisco de Assis da Silva é o Secretário Geral da IEAB

CARTA PASTORAL DA QUARESMA – DOM SEBASTIÃO ARMANDO

Dom Sebastião Armando - Bispo Diocesano 

CARTA PASTORAL DE DOM SEBASTIÃO ARMANDO, POR GRAÇA DE DEUS E ELEIÇÃO DO POVO, BISPO DA IGREJA DE CRISTO NESTA DIOCESE ANGLICANA DO RECIFE, POR OCASIÃO DA QUARESMA 2009, SOBRE O MISTÉRIO PASCAL 

Ao Reverendo Clero, ao Ministério Pastoral Auxiliar,

Às Lideranças Leigas e a todo o Povo da Igreja,

PAZ e ESPERANÇA EM CRISTO 

Iniciamos o tempo de preparação para celebrar a Páscoa e a liturgia, através das leituras bíblicas da Quarta-Feira de Cinzas, já nos situa no centro do mistério pascal: impotência de morte e poder de ressurreição. É mediante esse mistério que se revela a identidade de Jesus e a nossa. 

O texto do Evangelho segundo São Marcos (cf. Mc 6, 1-6)  apresenta-nos Jesus que volta a sua terra natal para anunciar o Reino de Deus e operar os sinais de sua chegada. Sinais que em outros lugares os evangelhos descrevem inspirando-se nos salmos e nas profecias: “Cegos recuperam a vista, coxos andam, leprosos ficam limpos, surdos ouvem, mortos ressuscitam, pobres recebem a boa-notícia” (Lc 7, 22). São esses os sinais que Jesus faz, de restauração da obra criada por Deus, da integridade das pessoas. Se reinterpretamos esses sinais com a ajuda da própria catequese dos evangelistas, somos levados a dizer: Quem não via passa a ter visão, gente paralisada agora caminha com os próprios pés, pessoas excluídas e julgadas indignas de estar entre nós são restauradas e incluídas, quem não ouvia agora é capaz de escutar, quem estava morto tem nova vida, aos pobres é anunciada a boa-nova de sua dignidade — sinais que afetam os corpos, as emoções e a intimidade espiritual mais profunda das pessoas. Pelas mãos de Jesus se comunicava uma energia de transformação das pessoas e de sua circunstância (cf. Mc 1, 21-28; 3, 1-6; Lc 4, 16-21).  

E qual é a reação? Não se espera que esses sinais sejam possíveis. São gestos surpreendentes, são milagres só possíveis a Deus, como anunciavam, por exemplo, o Salmo 136 e a profecia de Isaías 35. Só Deus pode operar essas maravilhas. Ora, Jesus aparece como homem comum: “Não é o carpinteiro, o filho de Maria… seus irmãos e irmãs não vivem aqui conosco?” Sentem-no próximo demais, parecido com qualquer um deles e delas e não creem n’Ele. Na verdade, não creem n’Ele porque não creem em si mesmos e por isso os milagres não acontecem: “Se alguém, sem duvidar por dentro, mas crendo que se cumprirá o que diz, disser a este monte que saia daí e se atire ao mar, isso acontecerá” (Mc 11, 23).

Não é assim que se dá frequentemente conosco? Quem disse que nós, “carpinteiros de Nazaré”, podemos transformar o mundo? Não é ilusão pensar que possamos influir para que pobres tenham dignidade? Para que quem não vê recupere a visão e enxergue a vida com seus próprios olhos? Quem disse que podemos ajudar pessoas a caminhar com os próprios pés? Seremos porventura capazes de abrir ouvidos que escutem o anúncio de novo tempo? Como poderíamos levantar da morte quem jaz no abatimento, na opressão e humilhação? Como teríamos poder de incluir essa multidão de gente excluída que nos cerca e nos ameaça a cada dia, “leprosos” de hoje em dia? 

Conhecemos o capítulo sexto do Evangelho de São Marcos. Somos exatamente como os parentes e os discípulos de Jesus. Quando os convida a providenciar pão para a multidão faminta que o seguia há dias sem ter o que comer, a resposta vem imediata, exatamente como a nossa: “Só se tivéssemos muito dinheiro para comprar pão para toda esta gente”. Só se fôssemos ricos, só se tivéssemos poder político… O evangelista ironiza e, de propósito, retrata, imediatamente antes dessa cena, o banquete no palácio do rei Herodes, quando se juntam os poderosos e ricos da Galiléia e decidem matar João Batista, o profeta que fala em nome da dignidade do povo. A ironia do Evangelho é perguntar-nos: Como se pode esperar a solução justamente de quem é a causa do problema? Como esperar que ricos e poderosos cuidem do povo, se são eles os seus exploradores? Hoje equivaleria a pensar que os 20% que usufruem de 80% da produção mundial, espontaneamente, se decidissem a partilhar com o bilhão de pessoas que passam fome e com os outros seis bilhões que vivem às voltas com o necessário. Os sinais da transformação são milagres, a prova disso é que depois de dois mil anos a partilha do pão ainda não acontece no mundo. Pois, milagre é o que não é “normal”, o que não se espera possível, operado por quem parece que nada é e nada pode. Jesus, lucidamente, não espera que a solução venha dos poderosos, e por isso, com tranquilidade, volta-se para o grupo que o rodeia e ordena: “Deem-lhes vós mesmos de comer, ide ver quantos pães tendes, organizem o povo em grupos…” (Mc 6, 37-39). O pão se distribui, dá-se a partilha e toda a multidão fica saciada. No Evangelho de São João chega-se a dizer que quem oferece os pães é uma criança pobre, pois são de cevada, o pão preto dos pequenos da sociedade.  

Os conhecidos da terra natal de Jesus não o recebem por julgá-lo muito parecido com eles. Os discípulos não se sentem capazes de ajudar na transformação da sorte do povo porque não têm nenhum poder, nem têm dinheiro. Nós, como eles, continuamos a crer nos poderosos. Julgamos ingênuo crer em nós e não nos damos conta da ingenuidade de crer em quem nos oprime, como zomba de nós o Apóstolo São Tiago em sua carta: “Vós prestigiais justamente quem causa vossa opressão” (cf. Tg 2, 1-7).

Em sua maneira irônica, o evangelista Marcos nos diz em seguida que também no palácio de Herodes Jesus não é reconhecido (cf. Mc 6, 14ss). Diziam que n’Ele se manifestava a energia de outrem: ou de Elias, ou de algum profeta antigo, ou de João Batista. De qualquer forma, sugere o evangelista, a questão é a mesma, pois Elias foi perseguido, como também os outros profetas, João fora condenado à morte fazia pouco tempo… não se espera e não se deseja que do meio do povo, de nós, se levante quem se disponha a operar sinais da transformação.  

Ao associar a rejeição de Jesus por seus compatriotas, a mentalidade de impotência dos discípulos e a rejeição por parte dos poderosos, o Evangelho quer-nos confrontar com nossa própria alienação. Na verdade, debaixo do peso da ideologia dominante, também nós não cremos que a transformação seja possível. Sobretudo não cremos que possamos ser nós os agentes da transformação. É o que o saudoso e querido educador Paulo Freire chama de “introjeção do opressor no oprimido”. Vamos sendo dirigidos pela ideologia dos poderosos, pois “numa sociedade de dominação, as idéias dominantes são as da classe dominante”. Não cremos em milagres, continuamos a crer no poder do mundo e no dinheiro, isto é, nos ídolos, pois na Bíblia a idolatria é a sujeição ao Poder e ao Dinheiro. Ouro e prata e os impérios são os deuses contra Deus (cf. Is 2, 18-2; 31, 7-9; Jr 10, 1-10; Sl 135, 15-21; Dn 1, 31-45; Mc 12, 13-17—é na moeda que está esculpida a imagem—o ídolo – do imperador; Ap 18, 9-24).

Ora, “a loucura de Deus é mais sábia que os homens, a fraqueza de Deus é mais forte que os homens (…) Deus escolheu os loucos, os visionários do mundo, para confundir os sábios, Deus escolheu os fracos do mundo para humilhar os fortes, Deus escolheu os plebeus e desprezados do mundo, os que nada são, para anular os que julgam ser alguma coisa ” (1Cor 1, 25. 27-28). Abraão é o modelo de nossa fé, justamente porque creu que  “Deus é capaz  de dar vida aos mortos e chama à existência o que não existe” (Rm 4, 17). Cremos realmente que essas promessas se realizem em nós? E por que somos tão descrentes do poder e da sabedoria de Deus em nós, por que somos tão omissos, por que julgamos não ter as armas para vencer a batalha contra o poder das trevas que mantém em cativeiro a obra da criação divina? Cremos ou não cremos que milagres  se operem por mãos de “carpinteiros”, de pescadores, de camponeses, de operários, de pessoas desempregadas, de mulheres, de crianças, de gente excluída, pessoas enfermas, humilhadas? 

A epístola de São Paulo aos Coríntios (cf. 2Cor 5, 20 – 6, 10) nos vem recordar nossa verdadeira identidade para que rompamos os véus da alienação: “Somos embaixadores plenipotenciários de Deus, e é como se Deus falasse (e na Bíblia “falar” é também sempre agir) por meio de nós”. E a mensagem que trazemos é uma só: Em Cristo, Deus revelou que o destino do mundo é a reconciliação. Proclamar e operar a reconciliação, eis nosso ministério como embaixadores e embaixatrizes de Deus. Somos enviados e enviadas para fazer o que não está feito e o que não se espera fazer-se. Tudo em volta parece outra coisa. A divisão e o conflito, que desagregam a obra de Deus, já começam no interior de nós, no seio da família, nos grupos que freqüentamos, na Igreja, nas relações e nas estruturas sociais. Somos enviados a operar milagres, o estupendo milagre de reconciliar a sociedade e até a própria criação. A reconciliação com Deus não só atinge os seres humanos, mas o cosmos inteiro: reconciliação da humanidade entre si e desta com a Natureza, como vemos nas epístolas (cf. Rm 8, 12-25; Cl 1, 13-23; Ef 1, 3-14). Cremos de verdade nisto? Ou para nós não passa de quimera, de ilusão, sonho ingênuo de quem se alheia da realidade? Afinal, tantas vezes dizemos, o mundo, a sociedade é o que é, que podemos fazer? É preciso jogar o jogo… Cremos em milagres, cremos no poder de Deus a operar em nós e por nossas mãos?  

Sim, porque só com o poder da fé vamos sentir-nos capazes de aceitar a embaixada que Deus nos confia. Pois muito teremos que suportar. Em nosso interior, aflições, privações, angústias (v. 4); de fora, perseguições: açoites, prisões, tumultos; pelo peso do ministério, fadigas, vigílias, jejuns (v. 5). Será preciso manter-nos com integridade, com intimidade  com a verdade (“saber” e “sabor”), com capacidade de suportar e com bondade (v. 6a). Donde nos vem a força? Do Espírito Santo, da capacidade de amar, da própria verdade que brilha pela Palavra, do poder de Deus (v. 7a). É assim que nos armamos para a batalha espiritual com as armas da Justiça em qualquer situação, de honra ou de desonra, de infâmia ou de boa fama (v. 7b-8a). Surpreendentemente, aos olhos do mundo e a nossos próprios olhos, acontece o milagre: tidos por enganadores e no entanto revelamos a Verdade da realidade; por desconhecidos, quando bem conhecidos; como se estivéssemos à morte e, no entanto, cheios de vida; sempre punidos, mas não exterminados; tendo todo motivo para tristeza, mas sempre alegres; pobres, mas com meios para enriquecer a muita gente; nada tendo, mas tudo possuindo (v. 8b-10). Exatamente o milagre proclamado nas Bem-Aventuranças.  

Sim, somos embaixadores e embaixatrizes a proclamar e operar reconciliação em pleno campo de batalha, no fogo cruzado do perigo da queda e da morte. Nossa luta é contra as potestades das trevas que se erguem arrogantemente contra Deus, para arrebatar-lhe Sua criação (cf. Ef 6, 12). É o que vemos descrito nos apocalipses, no tremendo conflito entre Deus e os poderes deste mundo. Não temos de inventar a “batalha espiritual” em nossa imaginação religiosa, com fantasias tantas vezes doentias. É na arena da sociedade humana que enfrentamos esse conflito radical entre Deus, o soberano Senhor da criação, e os poderes das trevas, tal como se deu com profetas e profetisas e com Jesus. 

O Apóstolo nos dizia que, em Cristo, Deus se revela mediante a reconciliação, e que essa se dá na medida em que somos pessoas regeneradas pela Justiça, “somos feitos justiça de Deus”. É exatamente isto de que trata o profeta Isaías (cf. Is 58). O que nos convencerá da missão, o que nos provocará e nos manterá no ministério é a experiência de que Deus se tem revelado a nós. Mas como se dá Sua revelação? No v. 9, diz-nos o profeta: Deus se revela como “Aqui Estou”, “Eu Sou”, “Eis-Me aqui”. E é isto o que nós desejamos, como se vê no v. 2: expressamos o desejo de conhecer seu caminho, achegar-nos a Deus, tê-Lo por perto. Mas estamos rodeados de obstáculos: nossos próprios delitos (v. 1) e ainda alegamos méritos, nossas obras de piedade (v.3). Ora, o profeta nos adverte, exercemos a religião, mas não transformamos nossas relações nem as estruturas na sociedade: buscamos nossos interesses, participamos do sistema de exploração, atiçamos fogo nas relações sociais, colaborando para provocar violência (v.3-4). Nossa religião vira mentira e ridículo: “mover a cabeça como junco e deitar-se na cinza”, só exterioridade, justamente o que não nos custa quase nada (v.7).

Qual o verdadeiro jejum, o ato de piedade pelo qual Deus se revela a nós? Responde-nos o profeta nos vs. 6 e 7: promover a liberdade, arrancar a canga que pesa nos ombros do povo, possibilitar a todos pão, moradia e vestimenta, ser instrumento para estabelecer harmonia e não confusão e ameaças (v.9). Só assim acontece o milagre: nossas trevas se dissiparão, seremos luz como da aurora que irrompe e brilha ao meio-dia. (v.8-9). Aí o Senhor se revela: “Aqui Estou”, e Sua glória é o que resplandece na luz em que nos transformamos. É o milagre da Ressurreição, “ao romper da aurora” (Mc 16, 2). E nossa carne, nossa fragilidade, se torna sadia e gloriosa. Antes, porém, o profeta cuida em recordar: “Se não te fechares a tua própria carne”, falando de nossos semelhantes necessitados. Finalmente, algo tremendamente atual: a renovação da sociedade vem descrita com imagens que associam a transformação social com a sobrevivência física e a Natureza paradisíaca (v.11-12), intuição de que o bem-estar das pessoas tem tudo a ver com justiça econômica e social, e com o que hoje chamamos de meio-ambiente (Ecologia). 

Iniciamos a Quaresma com o gesto penitencial das cinzas. Somos pó, somos terra, como nos lembra o belo Salmo 103. Oh, quanta penitência temos de fazer por todo o mal que, como sociedade humana, temos causado à terra! Na verdade, sem nós a terra pode manter-se e viver. Sem ela, porém, nós é que nada somos. Somos terra, dela viemos e a ela retornaremos. Nossa carne é feita de terra – somos “adam”, terrestres, feitos de “adamá”, terra (cf. Gn 2, 7). Quanta arrogância, causa do desastre que temos causado às fontes da vida no planeta! Não poderá ser esta nossa penitência quaresmal? Avaliar e mudar atitudes e comportamentos de dominação: as outras pessoas e toda a terra são nossa carne. Em que temos de mudar, concretamente, já a partir do dia-a-dia e até nossa participação no cenário público da sociedade? Em que temos de nos converter da omissão para que a vida seja salva e cuidemos amorosamente de todos os seres como irmãos e irmãs, como nos ensinava São Francisco? Que paradoxo, nossa alienação: para dominar, oprimir e degradar, sentimo-nos cheios de poder, para transformar atitudes, relações e estruturas sentimo-nos impotentes!

Que o exemplo de Jesus nos convença! Que o Espírito Santo nos unja com poder para que sejamos capazes de operar o milagre da transformação deste mundo! Nossa “humildade”, isto é, a lúcida consciência de que brotamos do “humus” da terra, será a fonte de nosso poder de transformar. O Sopro de Deus em nós poderá trazer novo alento a toda a criação. Sim, porque se estivermos em Deus, teremos poder de “transportar montanhas”, de “querer o impossível”, como dizia a juventude de 1968 e “outro mundo será possível” com a graça de Deus… 

+ Sebastião Armando, Recife

25 de Fevereiro de 2009

Quarta-Feira de Cinzas  

Recomendação: Esta Carta Pastoral seja divulgada e seu conteúdo estudado em todas as nossas congregações de acordo com as oportunidades e condições locais.

+ Sebastião Armando, Recife   

DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO

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“Em Cristo somos muitos membros mas um só corpo”
Preparado pelo comitê do Dia Mundial de Oração em Papua Nova Guiné.
 
O DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO é um movimento que reúne mulheres cristãs de todo mundo e de muitas tradições, para observar um dia comum de oração por ano.
 
É um movimento que iniciado por mulheres em 1887 e realizado em mais de 170 paises e regiões
É um movimento que aproxima mulheres de várias raças, culturas e tradições.
 
Através do DMO, mulheres de todo mundo:
Afirmam sua fé em Jesus Cristo;
Compartilham suas esperanças e temores, suas alegrias e tristezas, suas oportunidades e necessidades.
 
Através do DMO, mulheres são encorajadas:
A se conscientizarem do que acontece no mundo e não a viverem isoladas;
A se enriquecerem com experiências de fé vividas por cristãos de outros paises;
A reconhecerem seus dons e talentos e usá-los em benefício da comunidade.
 
Através do DMO, as mulheres reconhecem que a oração e a ação são inseparáveis e que ambas têm incontestável influência no mundo.
Mensageiro: Pastor Carlos Queiroz (Diaconia) 
Dia 06/03/2009 (sexta-feira)
Local: Catedral Anglicana da SS Trindade
Rua Alfredo de Medeiros, 60 – Espinheiro
(próximo ao Supermercado Comprebem da Av. João de Barros)
Horário: 19h30
 
Igrejas e movimentos parceiros do DMO em Recife para a celebração em 2009:
 

Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil (IECLB)
Exército de Salvação
Igreja Menonita
Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB)
Igreja Epsicopal Anglicana do Brasil (IEAB)
Igreja Apostólica Católica Romana (ICAR)
Igreja Evangélica Congregacional
Movimento Focolari
CEBI – Centro de Estudo Bíblicos
Fórum de Reflexão e Ação Diaconal (FRAD)
AFIC – Associação Fraterna de Igrejas Cristãs