Carta Pastoral da Câmara dos Bispos: Uma Palavra ao Povo de Deus sobre a Conjuntura Nacional

A religião pura e imaculada para com Deus e Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo.
Tiago 1:27

Diante dos escândalos e processos amplamente divulgados pela grande mídia envolvendo vários focos de corrupção em diferentes níveis, nos dirigimos ao povo e ao clero da nossa Igreja e a toda sociedade brasileira, constatando nossa preocupante realidade:

a) A corrupção é um mal histórico neste país, inclusive nos períodos de ditaduras cívicos-militares. Entendemos que é animador o enfrentamento a corrupção, quando preserva o sistema democrático, quando promove a reforma política com ampla participação popular, e quando envolve o compromisso com a mudança da cultura política e o fortalecimento da cidadania.

b) A corrupção está presente tanto no âmbito público como privado. Atingindo empresas nacionais e internacionais. É importante que tenhamos claro que o papel da mídia tem sido parcial deixando de ser esclarecedor, uma vez que expressa seus interesses e preferencias e não a real magnitude desde mal.

c) O Congresso nacional foi eleito sob o patrocínio de fortes interesses e poderes econômicos, fortalecendo os setores mais conservador e contrários as conquistas do povo trabalhador e dos direitos humanos. Prova disso, é a resistência à reforma política e o fim do financiamento empresarial das campanhas eleitorais; a tentativa de ampliação do alcance da terceirização, a proposta de revisão do estatuto do desarmamento, e a demarcação das terras indígenas, entre outras agendas de supressão de direitos.

d) Um ponto que tem merecido nossa especial atenção é a tentativa de reduzir a maioridade penal que, de forma nenhuma eliminará as causas nem aliviará o diagnóstico de violência em nosso país, conforme a juventude de nossa Igreja tão claramente manifestou.

e) Por outro lado o governo federal, formado por alianças indefinidas, propõe um reajuste fiscal que penaliza apenas as pessoas trabalhadoras, colocando em risco os programas sociais que aponta para a superação das desigualdades e dificultam o já fragilizado acesso aos direitos fundamentais de saúde, educação, segurança, entre outros. Enquanto isso, os ricos continuam desfrutando da proteção tributária no contexto nacional. Continue lendo “Carta Pastoral da Câmara dos Bispos: Uma Palavra ao Povo de Deus sobre a Conjuntura Nacional”

Nota da Diocese Anglicana do Recife sobre os recentes acontecimentos no país

NOTA DA DIOCESE ANGLICANA DO RECIFE, DA IGREJA EPISCOPAL ANGLICANA DO BRASIL, REPRESENTADA POR SEU BISPO DOM SEBASTIÃO ARMANDO, SOBRE OS RECENTES ACONTECIMENTOS NO PAÍS

A RUA É DO POVO
Lembro-me de que esse era o título de um pequeno artigo de jornal, que escrevi há muitos anos atrás, sobre o significado do Carnaval como expressão simbólica do poder popular. Na verdade, desde as grandes manifestações de 1968 (Passeata dos Cem Mil, contra a ditadura civil-militar), de 1984 (Diretas Já) e de 1992 (Caras Pintadas – Fora Collor), só se via o povo concentrado em estádios de futebol, em shows musicais (pouco importa se de artistas populares, cantores evangélicos ou modernos padres cantores, pois o resultado é mais ou menos o mesmo) ou no carnaval.

Eis que, de repente e inesperadamente, o corpo do povo reaparece nas ruas, avenidas e praças do país. Que maravilha, contemplar a imensa massa de mais de cem mil, qual caudaloso rio, a deslizar lentamente pela famosa Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro! Reiteradas multidões em São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Salvador, Recife, tantas outras capitais e até cidades do interior do país… No Recife, junto com gente de mais de uma Igreja, também eu estive a desfilar na tarde do dia 20 passado, pela Avenida Conde da Boa Vista, no centro da cidade, literalmente tomada pelo povo, na largura e no comprimento, seguramente muito mais que as cinquenta mil pessoas apregoadas oficialmente. Continue lendo “Nota da Diocese Anglicana do Recife sobre os recentes acontecimentos no país”

CARTA PASTORAL DE DOM SEBASTIÃO ARMANDO, POR OCASIÃO DO XXIX CONCÍLIO DIOCESANO

ConcílioÉ com emoção que presido a celebração deste Concílio, a grande festa anual da Igreja. Ao concluir meu ministério de Bispo Diocesano, vejo que certamente não ajudei vocês em tudo o que seria desejável. O mesmo digo de vocês, também não me ajudaram no nível desejável. Que Deus aceite nossa boa vontade e reta intenção, e tenha misericórdia de nossas falhas e até má vontade. Devo confessar que já começo também a carregar saudades. Um dos grandes privilégios espirituais de Bispo diocesano é ter a chance de acompanhar pessoas e comunidades em seu crescimento. Algumas até desde a infância à idade adulta, ou quase. Ordenar, por exemplo, pessoas maduras e íntegras. Confirmar pessoas bem preparadas, quando isto acontece, com comprovado compromisso com a Igreja. Escutar sonhos, ansiedades, dúvidas, às vezes até pecados; perceber o amadurecimento no desempenho do ministério de Cristo, mesmo admoestar e corrigir; ter a graça de partilhar da intimidade e do testemunho de santidade de tanta gente, às vezes até quase escondida entre nós… unicamente com o desejo de ver as pessoas crescerem e o Evangelho revelar sua “dynamis” de salvação e santificação.

As leituras bíblicas nos falam de poder, poder de Deus em nós. Não se trata, porém, de poder como imposição ou força opressiva, mas de poder, a partir da própria etimologia do termo, como posse do próprio ser, potência, possibilidade, possível, quer dizer, poder como capacidade e possibilidade de ser, poder como ser possível, ser futuro, ser para além do que já se é no presente, ser mais.

O Profeta Isaías nos diz que a aliança de Deus nos concede poder, na medida em que nos abre a novas possibilidades, gratuitamente. E acrescenta que a Palavra transformadora é plena de poder, “não volta sem efeito, sem ter realizado o objetivo para o qual foi enviada”. O Apóstolo São Paulo ensina que, em nosso ministério, não proclamamos a nós, mas a Cristo Jesus. Somos servos e servas por causa de Jesus, para que brilhe o conhecimento da glória de Deus, que resplandece na face de Cristo. Incrivelmente, somos vasos de barro, mas o incomparável poder de Deus está contido em nós. No Evangelho de São João, já sabemos do prólogo que temos a autoridade de filhos e filhas de Deus pelo novo nascimento. Aqui nos explica que, se permanecemos em Cristo, quais ramos em videira, teremos o poder de frutificar abundantemente, e a autoridade para pedir o que quisermos e o obteremos de Deus. Essa possibilidade brota justamente do amor, já que não somos mais servos e servas, mas amigos e amigas de Jesus e, por meio d’Ele, de Deus. Haveria poder maior do que ser amigo ou amiga de Deus? Continue lendo “CARTA PASTORAL DE DOM SEBASTIÃO ARMANDO, POR OCASIÃO DO XXIX CONCÍLIO DIOCESANO”

Carta Pastoral do Bispo Diocesano sobre o futuro da Diocese

Carta Pastoral de Dom Sebastião Armando, por graça de Deus e eleição do povo Bispo da Igreja Católica de Cristo nesta Diocese Anglicana do Recife, ao abrir oficialmente o período de reflexão sobre o futuro da Diocese e de indicação para a eleição episcopal no Sínodo Provincial, a reunir-se em 2013.

Carta disponível aqui.

Carta Pastoral de Dom Sebastião Armando por ocasião do XXVIII Concílio Diocesano

AO REVERENDO CLERO, AO MINISTÉRIO PASTORAL AUXILIAR, ÀS LIDERANÇAS LEIGAS E A TODO O POVO DA DIOCESE

ALEGRIA E PAZ NO SENHOR!

1. Estamos a celebrar nosso Concílio Diocesano, a grande festa da Diocese, quando toda a Igreja se congrega mediante suas representações. Além de tratar do que diz respeito a questões da vida quotidiana, reunimo-nos para orar em conjunto, invocar a assistência do Espírito Santo e para simplesmente nos rever, nos abraçar, conversar e confraternizar e, assim, fortalecer os laços de fraternidade e unidade.

2. Este Concílio tem um significado particular. Seu objetivo é projetar a Igreja para o futuro. Depois das tribulações pelas quais temos passado; depois deste atual período em que o foco tem sido a cura de feridas e a restauração de nossa comunhão e da esperança; chega o momento de proclamar o que queremos de nosso futuro nesta região, desenhar de maneira mais nítida qual deve ser a vocação do Anglicanismo no Nordeste do Brasil. Continue lendo “Carta Pastoral de Dom Sebastião Armando por ocasião do XXVIII Concílio Diocesano”

Convocação para o Concílio Diocesano em Junho

Ao clero, ao ministério pastoral auxiliar,
às lideranças leigas da Diocese
e a todos os membros de nossas congregações
Recife, 15 de Março de 2012

Irmãs e Irmãos em Cristo,
Paz e Alegria no Senhor

Neste tempo quaresmal, quando a Igreja nos convida a aprofundar a consciência de nossa própria condição de vulnerabilidade e pecado, somos provocados pelo Espírito Santo à oração, à reflexão e à prática da partilha e do perdão mútuo. Não que tais comportamentos devam limitar-se aos dias que se enquadram na moldura deste tempo litúrgico. Antes, devem ser marcas permanentes de um profundo e corajoso compromisso com os valores do Evangelho de Jesus, para que assim se manifeste entre nós o Reinado de Deus…

É neste cenário que escrevo para confirmar que o próximo Concílio Diocesano acontecerá de 08 a 10 de Junho do corrente ano, em nossa Catedral. Na ocasião, contaremos com a honrosa presença de nosso Bispo Primaz, Dom Maurício José.

Considerando a brevidade do tempo e a extensão das tarefas preparatórias desse nosso tão importante encontro, bem como o processo de mudança vindouro em nossa Diocese, resolvi estabelecer uma comissão formada por irmãs e irmãos, do clero e do laicato, que deverão ajudar-nos nestas duas perspectivas, quais sejam: ouvir a Igreja neste momento desafiador para projetar o futuro e preparar o que for necessário para a realização do Concílio. Continue lendo “Convocação para o Concílio Diocesano em Junho”

Carta Pastoral do Advento 2011

Queridos irmãos e irmãs, nós bispos e pastores da Igreja, queremos trazer à Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, uma mensagem de esperança neste novo tempo que se avizinha no Calendário Cristão. O Advento tem um caráter preparatório, apontando e nos preparando para celebrar o mistério da encarnação, em Cristo Jesus. Os eventos resgatados neste período nos falam de um Deus que acompanha bem de perto a jornada da humanidade, “Deus conosco” (Mateus 1:23).

Apresentando essa mesma perspectiva, uma narrativa do Êxodo nos conta que Deus disse: “Eu tenho visto como o meu povo está sendo maltratado no Egito; tenho ouvido o seu pedido de socorro por causa de seu feitores. Sei que estão sofrendo. Por isso desci para libertá-los do poder dos egípcios e para levá-los do Egito para uma terra grande e boa” (Êxodo 3:7-8). Esse trecho das Escrituras nos mostra um Deus sensível, comovido com o sofrimento humano, que está disposto a descer das alturas das montanhas para cuidar da sua criação.

Essa imagem deveria guiar sempre a atuação daqueles e daquelas que se dedicam ao pastoreio do povo de Deus. Olhos atentos ao contexto no qual estamos inseridos, ouvidos sensíveis para escuta do clamor das pessoas que sofrem, dispostas a experimentar o desafio da alteridade, se colocando no lugar do outro, movidas pela compaixão, reviradas nas entranhas. Nesse diálogo com o outro a pastoral vai adquirindo sentido. Continue lendo “Carta Pastoral do Advento 2011”