Paróquia do Bom Pastor, Salvador-BA, em defesa da justiça social

Ato ecumênico
Ato ecumênico

Texto: Osvaldo Júnior

Redução da maioridade penal e extermínio da juventude negra. Essa foi a temática da celebração especial em comemoração ao Dia da Juventude, realizada na Paróquia do Bom Pastor (Salvador-BA), da Diocese Anglicana do Recife, na noite do último dia 13 de abril. Participaram da missa denominações de matrizes afro, espíritas e expressões religiosas ecumênicas.

Durante a celebração, as pessoas tiveram a oportunidade de refletir sobre fatores relacionados com a Proposta de Emenda Constitucional (PEC 171/93) que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos. Outro ponto lembrado foi o episódio conhecido em Salvador como a Chacina do Cabula, ocorrido em fevereiro deste ano. Segundo informações da Polícia Militar, os 12 jovens que estavam em um imóvel, localizado no bairro Cabula, demonstraram desobediência diante da chegada dos policiais. Houve confronto com tiros e todos os abordados faleceram. A Secretaria da Segurança Pública garante que os alvejados possuíam registro de antecedentes criminais. Continue lendo “Paróquia do Bom Pastor, Salvador-BA, em defesa da justiça social”

17o. Grito dos Excluídos ganha ruas do país neste 7 de Setembro

Jeane Freitas
Jornalista da Adital
Fonte: Adital

Com conquistas e desafios, o Grito dos (as) Excluídos (as) chega a sua décima sétima edição com realização massiva – neste dia 7 de Setembro, data simbólica da Independência do Brasil – na maioria dos estados brasileiros. Consolidado como principal espaço de concentração, mobilização e afirmação dos movimentos sociais e suas demandas, o Grito deste ano tem como tema Pela Vida grita a terra… Por direitos todos nós!.

Com este tema, o ato reforça a participação do povo que, através de suas inquietações e denúncias, se torna sujeito de transformações e de mudanças nas mais diferentes realidades brasileiras. Segundo Luis Bassegio, coordenador do Grito dos Excluídos Continental, a iniciativa do evento já está inserido no calendário popular. “[O Grito] tem se tornado um espaço de manifestação do povo que não tinha onde levantar a voz e encontrou nesse dia uma oportunidade para se manifestar”, disse.
Contra as altas taxas de energia; pelo direito à moradia digna; pela participação cidadã no processo da Copa Mundial de 2014; contra o desemprego; pelo respeito às mulheres, aos povos indígenas, às crianças e adolescentes; contra os grandes projetos governamentais que afetam comunidades inteiras… Os motivos que levarão milhares de brasileiros e brasileiras às ruas são muitos. Continue lendo “17o. Grito dos Excluídos ganha ruas do país neste 7 de Setembro”

Passeio Socrático

Frei Betto *

Adital –
Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos em paz nos seus mantos cor de açafrão.

Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos dependurados em telefones celulares; mostravam-se preocupados, ansiosos e, na lanchonete, comiam mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, muitos demonstravam um apetite voraz. Aquilo me fez refletir: Qual dos dois modelos produz felicidade? O dos monges ou o dos executivos? Continue lendo “Passeio Socrático”

Mensagem de Páscoa do Bispo Diocesano

MENSAGEM DE PÁSCOA
Dom Sebastião Armando, Bispo da Diocese Anglicana do Recife, da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil

1 – LITURGIA PARTICULARMENTE DRAMÁTICA

Estamos na Oitava da Páscoa. Acabamos de sair da Semana Maior, o momento mais importante do ano da Igreja. Domingo, com ramos e palmas, recordamos a entrada triunfal de Jesus, aclamado pelos peregrinos que subiam à Cidade Santa, e o acolhemos como Messias de Deus. Na Quinta-Feira Santa, com o Lava-Pés e a Santa Ceia, recordamos a Última Ceia de Jesus, a instituição da Santa Eucaristia e o Mandamento do Amor. Na Sexta-Feira nossa atenção esteve voltada para a Paixão de Jesus, o “Dia de Trevas”. No Sábado à noite, a tradição da Igreja nos convidava a viver a solene Vigília Pascal, “a mãe de todas as vigílias”, como dizia Santo Agostinho já no século IV. O costume da Igreja é romper a aurora em oração e voltar a cantar “Aleluia” para proclamar a gloriosa ressurreição de Jesus. Na solene liturgia da Vigília, rememoramos a história da salvação, da criação até hoje, acendemos o fogo novo para iluminar as trevas, a igreja se ilumina e se reveste de branco, o círio pascal se acende como sinal de Cristo, luz do mundo, a água do batismo nos anuncia a nova criação… Finalmente, o Domingo de Páscoa amanheceu, a estrela d’alva no céu a indicar nosso destino de gente ressuscitada com Cristo, na certeza de que a luz vence as trevas. Liturgia é drama para que possamos perceber o drama em que está envolvida nossa vida de cada dia. Continue lendo “Mensagem de Páscoa do Bispo Diocesano”

Classe média num país injusto

Frei Betto

A população brasileira é, hoje, de 190 milhões de pessoas, divididas em classes segundo o poder aquisitivo. Pertencem às classes A e B as de renda mensal superior a R$ 4.807,00 – os ricos do Brasil.

R$ 4.807,00 não é salário de dar tranqüilidade financeira a ninguém. O aluguel de um apartamento de dois quartos na capital paulista consome metade desse valor. Mas, dentre os ricos, muitos recebem remunerações astronômicas, além de possuírem patrimônio invejável. Nas grandes empresas de São Paulo, o salário mensal de um diretor varia de R$ 40 mil a R$ 60 mil.

Análise recente da Fundação Getúlio Vargas, divulgada em fevereiro de 2010, revela que integram esse segmento privilegiado apenas 10,42% da população, ou seja, 19,4 milhões de pessoas. Elas concentram em mãos 44% da renda nacional. Muita riqueza para pouca gente.
A classe C, conhecida como média, possui renda mensal de R$ 1.115,00 a R$ 4.807,00. Tem crescido nos últimos anos, graças à política econômica do governo Lula. Em 2003 abrangia 37,56% da população, num total de 64,1 milhões de brasileiros. Hoje, inclui 91 milhões – quase metade da população do país (49,22%) – que detêm 46% da renda nacional. Continue lendo “Classe média num país injusto”

Sou favorável à internacionalização da Amazônia se…

A questão da internacionalização da Amazônia é algo que não tem saído de pauta nos últimos 30 anos. De vez em quando o assunto volta à tona. A discussão tem envolvido de políticos a diplomatas, de estudantes a intelectuais. Os seus defensores, geralmente dos paises ricos e alguns “pobres” daqui costumam argumentar que a Amazônia é o “pulmão” do mundo e não deve pertencer a um povo especifico, no caso, a nós brasileiros.

Chama-me a atenção que aqueles que querem cuidar das nossas florestas, foram os mesmos que destruíram as suas. Ora se eles não foram capazes de cuidar do que era deles, por que cuidariam do que é nosso? Estariam eles verdadeiramente interessados em cuidar do meio ambiente ou das riquezas? Continue lendo “Sou favorável à internacionalização da Amazônia se…”